Coronavírus: entre o pânico e a despreocupação, o caminho do meio.

     
Fonte: Google Imagens

    A gente não pode, nem deve, entrar em desespero ou ficar paranoicos por qualquer motivo que seja. Mesmo nos momentos mais difíceis, precisamos tentar manter a calma e a serenidade pra agir direito.

     A explosão de casos do novo coronavírus em todo mundo acendeu um sinal de alerta global. É natural e justificável a preocupação. É uma enfermidade nova que vem tirando um número considerável de vidas.

     A doença pode ser fatal, principalmente, no grupo de risco, que inclui idosos e pessoas com histórico de problemas respiratórios, por exemplo. É neles que devemos pensar, em primeiro lugar, pois são vítimas em maior potencial.

  Governos em diversos países têm tomado medidas protetivas pra evitar que o coronavírus se espalhe com maior facilidade. No Brasil a propagação da doença tem sido motivo de cuidados em diversas cidades e Estados.

  Não devemos fazer pouco caso da situação. Sim, a grande maioria dos infectados se cura. Mas pensemos nas pessoas mais pobres, que não têm recursos pra tratamentos mais efetivos que os disponibilizados pelo SUS. Pensemos nas pessoas que amamos que se enquadram nos grupos de risco.

   Todos somos possíveis vetores da doença. Não é porque você está saudável, é forte ou não tem habitualmente questões relacionadas, como gripe ou problemas respiratórios, que deve minimizar sua capacidade de oferecer risco a quem é mais vulnerável.

   Talvez, a tendência seja que a doença chegue com mais força ao Brasil nas próximas semanas. Por enquanto, o novo epicentro é a Europa. Devemos nos manter atentos e nos preparar, na medida das nossas capacidades, pra contermos o avanço da pandemia.

   Vamos ser responsáveis e cuidadosos, seguindo as orientações do Ministério da Saúde, mas vamos também buscar paz de espírito pra não nos deixarmos abater mais do que necessário.

   Precisamos manter o foco na nossa saúde mental e na nossa capacidade de autonomia e resiliência. Tomando as medidas preventivas e nos cuidando, cuidando de quem está do nosso lado, as chances de tudo ficar bem são maiores.

   Força pra todos nós.

Pelo nosso bem, às vezes é preciso recolhimento.

Imagem de S. Hermann & F. Richter por Pixabay 

    Somos seres naturalmente sociáveis e, a grande maioria de nós, tem um instinto claro e uma pré-disposição para viver em comunidade. Existem exceções, mas, no geral, o ser humano opta de forma voluntária por estar com seus semelhantes e partilhar experiências juntos. Há aqueles, inclusive, que não suportam nem passar um tempinho mínimo consigo mesmos.

    Se tu foges um pouco do padrão, e é uma pessoa mais introvertida e reservada, como eu, logo é visto com olhos desconfiados por uma boa parcela das pessoas. Elas te taxam de "esquisita" ou "estranho" e, de forma indireta, te prejulgam por causa da tua personalidade. No fundo, uma imensa dificuldade de aceitar o diferente.

    Porém, ao contrário do que prega o senso comum, é muito saudável e psicologicamente positivo dedicar um tempo só para si. Praticar um hobby bacana, passear pelo seu local favorito da cidade ou mesmo passar o final de semana em casa pode contribuir efetivamente para melhorar teu humor, aliviar o estresse e fomentar teu autoconhecimento.

 Quando estamos emocionalmente desestabilizados e nossas emoções não estão equilibradas, é desaconselhável ficar sozinho por longos períodos porque, geralmente, ficamos presos em ideias fixas ruins, que se retroalimentam. Os pensamentos maus ficam em loop na nossa cabeça. Precisamos canalizar, de alguma forma, essas sensações e a melhor maneira é o diálogo, especialmente com uma boa psicóloga.

    No entanto, quando alcançamos certa paz de espírito e autocontrole, é mais frequente nossa necessidade de, às vezes, fugir um pouco do mundo no nosso universo particular. Não adquirimos autossuficiência, pois ela é inviável, mas ganhamos uma boa dose de autonomia e satisfação pessoal que nos permitem aproveitar nossa própria companhia serenamente.

   Contra o caos do mundo e as dificuldades da relação com algumas pessoas, nada melhor que fugir um pouco de tudo para recuperar as energias, ajustar o foco e se beneficiar com o sossego. Nesse tempo, redescobrimos nossos prazeres, nossos gostos e nossas aptidões naturais. É um ótimo remédio para, por exemplo, acalmar os nervos e a tensão.

    Ninguém precisa virar eremita e passar décadas na solidão. Algumas horas curtindo seu silêncio já são o bastante. Offline de preferência. Depois, reanimados e descansados, podemos voltar à vida "normal" mais dispostos, tranquilos e prontos para encarar os desafios da sociedade.

   Na dúvida, opte sempre por programas baratos e simples que priorizem teu contato contigo mesmo. Soa engraçado, mas, uma coisa que gosto muito, é andar de ônibus até o centro da cidade a partir daqui, da Marambaia, bairro onde moro, em Belém do Pará. Vou de boas ouvindo rádio e mexendo no celular, enquanto rezo para não ser assaltado. 

   Naqueles, 50 minutos, quieto, vendo a cidade passar pela janela, me sinto realmente sereno. E o melhor: gasto "apenas" R$ 3,60. É meu momento de contemplação e quietude. É estranho, mas fico bem assim. Se ainda não sabes, está na hora de descobrir qual o teu. Quando fizeres isso, vais perceber como tudo ficará mais leve. Fica a dica.








Ninguém se conhece por inteiro.

Imagem de Free-Photos por Pixabay 

   Pobre de quem acha que se conhece tão bem que perdeu a capacidade de se surpreender consigo mesmo. A única regra geral que devemos obedecer é a do aperfeiçoamento e da evolução. Ter humildade para reconhecer erros, pôr de lado o que não serve mais, ideias e atitudes frutos das nossas imperfeições morais, da nossa inexperiência e imaturidade espiritual.

    Somos sempre projetos de algo infinitamente melhor e, entre o presente e este ideal, nossa tarefa é acreditar na nossa melhora e lutar muito por ela. O mundo pode parecer hostil e inviável, mas é necessário nos mantermos no compasso da nossa bússola interior e alinhados aos nossos caminhos.

     É preciso se permitir se melhorar internamente para oferecer todos os dias coisas boas ao mundo. Isso gera mudança e movimento. Se nos doamos a esse processo essencial, logo percebemos que partes avulsas vão indo embora, vamos naturalmente nos transformando e crescendo.

    Por isso o processo de autoconhecimento precisa ser constante: para estarmos sempre conscientes e atualizados dos nossos passos e das nossas conquistas. A gente nunca se conhece completamente porque não somos seres prontos e acabados. 

    A única coisa constante no universo é a transformação. Nada é imutável ou eterno. Essa regra geral também se aplica a nós e à nossa natureza. Se tu pensares em como eras há dez ou vinte anos, certamente vais notar características diferentes. Amadurecemos e nos modificamos.

    Nesse processo permanente, é preciso estarmos atentos a como vão se comportando nossos sinais, nossos movimentos, nossos defeitos e nossas qualidades. Uma autoanálise disciplinada e profunda. Atitude fundamental para nos mantermos sempre a par a respeito do nosso "eu" mais íntimo.

    Somos muito mais complexos do que nossa inteligência consegue compreender. Com o passar do tempo, nos tornamos ainda mais sofisticados. É um caminho sem volta: a existência e a vida, com suas infinitas experiências, nos põem nele.

  Pode parecer tarefa difícil ter atualização constante do fluxo que nos modifica frequentemente, mas, reservando um tempo para nós mesmos e com certa autorreflexão, é possível. O importante é não se perder de si.