Para o bem da saúde mental, boas doses de amor.

Imagem de Cheryl Holt por Pixabay 

   Existem certas dores, problemas, traumas, tropeços que, simplesmente, fogem ao nosso controle e independem da nossa vontade. Eles, de forma natural, acontecem. São situações adversas que nos escapam das mãos. Não temos muito o que fazer a respeito delas, a não ser enfrentá-las.

   Tu já deves ter te visto, alguma vez, em uma posição assim: a vida se impõe com força e tu não consegues achar uma saída para o contratempo. Tu te sentes impotente e frustrado. Às vezes, o desespero parece um beco sem saída e a solução parece ser impossível. A dor corrói e sufoca o peito.

   Mas, então, quando tu menos esperas, alguém te estende a mão. Pode ser um gesto simples, como a disposição para ouvir um desabafo ou um acompanhamento ao psicólogo. O que, talvez, possa ter surgido do lugar mais improvável, se revela como um ato de generosidade enorme que te salva naquele momento.

   O amor, o afeto, a caridade, não precisam necessariamente ter conotação romântica e sexual. Quando Jesus, há dois mil anos, pediu para que amássemos ao próximo como a nós mesmos, ele falava de um tipo de amor descompromissado que não estava ligado à carne ou à posse.

   Um dos fatores que mais influem no equilíbrio e na estabilidade da nossa saúde mental é nos cercar diariamente de pessoas que amamos. É ter a certeza de que estamos próximos de quem tenta nos compreender e nos aceita do jeito que somos, com nossas qualidades e nossas limitações.

   O amor é o combustível mais potente que a natureza humana é capaz de criar e, entre todos os remédios, é o único que oferece uma possibilidade de cura integral. O amor próprio, aliado ao amor de pares, família e amigos, é protetor contra males do corpo, da mente e do espírito.

   Sorte de quem tem amores ao seu lado e ama com entrega, retribuindo o sentimento. Porque se existe um bem mais valioso que qualquer conta bancária recheada, esse bem é o amor verdadeiro. Pode ser excesso de romantismo e falta de percepção da realidade, mas, de verdade, acredito que o poder desse sentimento divino é a resposta para quase todos os dilemas do mundo de hoje.

   Se nos propuséssemos a amar mais e melhor, certamente, adoeceríamos menos, haveria menos guerras, desigualdade social, preconceito e conflitos sociais. Enlouqueceríamos menos, tomaríamos menos remédios, teríamos menos problemas emocionais e desgastes psíquicos, pois haveria suporte e nos comprometeríamos mais uns com os outros.

   Sei que corro o risco de soar idealista, utópico e sonhador, porém, para mim, a resposta para tudo que nos aflige pode ser resumida na essência do amor. É ele a base da nossa saúde e sustento nas horas mais difíceis. E, enquanto eu tiver a capacidade de escrever e fazer arte, é pela valorização dele que vou lutar. Porque, se os problemas e o caos do mundo são grandes, as possibilidades do amor são infinitamente maiores. Porque ele é imenso, como somos quando o comungamos.